O nome parece estranho: terapia na “caixa de areia”, mas é exatamente isso.
Um processo psicoterapêutico com pessoas de qualquer idade, realizado por meio
da utilização de caixas com areia. Esta técnica foi desenvolvida e é empregada
por psicólogos junguianos. Trata-se, especificamente, de o paciente “projetar
os conteúdos de seu inconsciente em cenários criados com miniaturas e montados
dentro de caixas que contêm areia”. As caixas (duas) são retangulares com
tamanho aproximado de 70 cm x 6 cm x 50 cm, e com fundo azul-claro (para
simbolizar água) e preenchidas com areia fina, sendo uma para ser utilizada com
areia seca e outra com areia molhada.
Assim
como o desenho, a pintura, a dança, a “massinha/argila”, o brincar, a caixa de
areia é uma “técnica expressivo-projetiva”, criativa e não-verbal, pois nela o
inconsciente é projetado e expresso em cenários, o que possibilita ao
psicólogo/analista um acesso imediato aos conteúdos psíquicos, em um ambiente
protegido, livre e contido, onde nada se fala ou é interpretado, simplesmente
vivenciado. Eventualmente, o paciente/analisando pode expor algum sentimento ou
impressão que o cenário lhe causa. No final de cada sessão, após a saída do
analisando e antes de ser desfeito, o cenário é fotografado, analisado pelo
psicólogo e guardado para formar um “histórico evolutivo”, que será mostrado ao
analisando no final de seu processo terapêutico.
Tem-se a impressão de que essa atitude
não-interpretativa, em que só no final do processo se comentam os cenários, é
imprecisa e a terapia “vazia”. Mas este é o cerne da técnica, pois conta-se com
a ativação do Self, o centro regulador e ordenador da nossa psique, que é
responsável pelo processo de auto-cura psicológica. Essa auto-cura pode ser
exemplificada pelo que acontece em nosso corpo quando nos ferimos e,
automaticamente, é disparado um processo de cura (os anticorpos ou as
cicatrizações). É lógico que tal processo será mais rápido ou lento, conforme
forem as condições dadas ao corpo, como alimentação, medicamentos etc.
O mesmo ocorre com a psique: o processo é
auto-curativo. Entretanto, depende de condições favoráveis para que se inicie e
ocorra de forma mais ou menos intensiva. A caixa de areia propicia a projeção
de conteúdos inconscientes que de outra forma seriam expressos, por exemplo, no
corpo, na forma de um sintoma. Isto acontece para que a pessoa vivencie a sua
personalidade de maneira total, não reprimindo para o seu inconsciente pessoal
– a sua sombra, potencialidades que precisam fazer parte de si, do seu ego. O
adoecimento físico e/ou emocional é o jeito de o Self compensar uma atitude
unilateral do ego, com o objetivo de levar a pessoa à conscientização e à
totalidade. A diferença é como isso pode ser atingido: com maior ou menor
sofrimento.